segunda-feira, março 02, 2009

Roteiro dos Bandeirantes

Já de há muito que estávamos combinando essa excursão até Itu, dona Letícia e eu, mas sempre adiando. Vai que, num rompante de ressaca pós-Carnaval, decidimos cumprir o tão combinado e tantas vezes adiado passeio. A despeito do calor senegalês, enfunamos o peito e talqualmente Anhangueras modernos, seguimos pelo sertão afora.


O ponto de partida foi esta venerável Santana de Parnaíba, cognominada quatrocentorgulhosamente Berço dos Bandeirantes. O motivo: durante os séculos XVI e XVII a vila de Parnaíba chegou a ser mais importante que a de São Paulo, tornando-se ponto de partida de inúmeras expedições rumo ao sertão, as famosas "bandeiras". Atualmente a cidade é o ponto de partida para o Roteiro dos Bandeirantes.

Seguimos pela Estrada dos Romeiros, o antigo caminho que demandava Itu. Essa estrada, serpenteando pela serra, vai acompanhando o rio Tietê desde as várzeas por onde ele segue tranquilo e preguiçoso até chegar nas corredeiras e pequenas quedas, que culminam no Salto, na cidade desse nome, pouco além de Itu.

Quem vê o rio que passa em São Paulo dificilmente acredita que ele é o mesmo das fotos a seguir, tiradas do trecho onde, em agosto de 1923, parou a expedição do então governador Washington Luis rumo à Itu. Ainda existe uma placa alusiva, incrivelmente poupada pelos vândalos que pululam no mundo.

Pouco mais de 60 quilômetros da capital e o velho rio começa a esboçar sinais de renascimento, ajudado pela belíssima paisagem com trechos de majestosa mata Atlântica.




Trechos da Estrada Parque

Cerca de duas léguas de Itu está a fazenda da Serra, mais conhecida por Fazenda do Chocolate (esse é seu principal produto). Reza a história que pertenceu à Domingos Fernandes, fundador de Itu, irmão de André (fundador de Parnaíba) e Baltazar (fundador de Sorocaba), todos filhos da matrona Suzana Dias. A fazenda em questão está muito bem conservada, mantendo a sede seiscentista, a casa de farinha, os currais e alguns equipamentos como moenda, a velhíssima roda d´água e uma prensa.


Fazenda da Serra

Venda de artesanato, passeio à cavalo, visita aos pequenos animais, tudo isso atrai centenas de visitantes, mormente num domingo ensolarado como o de ontem.


Passeios a cavalo e pequenos animais atraem os visitantes

Itu sempre foi cidade importante na história e economia paulista, mas não espere achar aqui um tratado sobre isso. Só vou dizer que no ciclo do açúcar foi um dos mais importantes produtores. Aqui tiveram origem diversas famílias de relevo, como os Paes de Barros e os Pacheco e Silva. Por sua lealdade ao Imperador, foi agraciada em 1823 com o título de Fidelíssima. Em 1873, no sobrado de Carlos Almeida Prado, foi realizada a Convenção Republicana.




Centro de Itu - Sobrados e Matriz da Candelária

Mas tudo isso ficou meio de lado depois dos anos 60, quando na televisão o comediante Simplício, representando um caipira cheio de bazófia, vivia desfiando as grandezas de sua Itu natal. Daí foi um passo para a cidade ficar conhecida como "das coisas grandes", e tome orelhão gigante, semáforo gigante, cotonete gigante...
Aspecto de uma sala do Museu da Energia


Bonita, bem cuidada, Itu é uma estância turística que atraí muitos visitantes que nunca saem de lá decepcionados. Pena - ou sorte, sei lá - que a maioria prefere a comodidade das grandes rodovias, deixando de lado a bela estrada velha, a Estrada Parque, de tantas belezas e histórias.

Saguão superior do sobrado do Barão de Itu (Bento Paes de Barros)

Boa semana e conheçam o roteiro dos Bandeirantes.

Na imagem abaixo, ao fundo da sala, madame Lets em seu momento Baronesa de Itu.

Quer mais? Veja também
Monumento aos Bandeirantes
Roteiro dos Bandeirantes

4 comentários:

Raquel disse...

Que passeio, hein?
Perdi, fica pra próxima...

Silvinha disse...

Ri,
Ler seu blog é sempre um passeio por SP, mas esse foi um pouco além...
Adorei as fotos, parabéns!!!
Silvia

denise disse...

que legal! belas fotos, belo guia. uma hora venha excursionar em registro (chama-se assim porque era um local de parada, tipo uma aduana, no rio ribeira de iguape em que se pesava e registrava o ouro).

Ana Ramon disse...

Olá Amigo! Então vivendo em preguiça? Quando é que chega a hora de novas crónicas para quebrar este tão triste silêncio?
Farto de me bater à porta e encontro sempre a casa vazia, por vezes com outros amigos sentados no banquinho na esperança de te verem aparecer.
Vá lá.. é só aproveitar uma pequena pausa no meio do trabalho.
Continuamos todos à espera.
Beijinho grande