quarta-feira, outubro 01, 2008

A arte de comer bem

Estou restaurando um livro de receitas de 1939, intitulado 'A arte de comer bem', de autoria de uma certa Rosa Maria.

Fora o fato do livro chegar até mim em estado lastimável, pelo uso que teve, o que me chamou a atenção foi o conteúdo deveras interessante.

Resumindo: o livro foi escrito por uma "mãe", com dicas e receitas para a "filha"; daí encontrarmos desde como colocar a mesa, passando por escolha da criadagem, até sugestões de jantares informais, ceias íntimas, chás da tarde, etc, etc.

Durante a limpeza e desmontagem dos cadernos não tem como deixar de ler certos trechos, daí eu ter selecionado alguns, que seguem nas fotografias abaixo.

Ainda que eu tenha achado muita frescura, não posso negar uma coisa: as pessoas valorizavam a educação e a cordialidade. Atraso era algo imperdoável, coisa que hoje é normalíssimo. Estranho é ser pontual. Ceder a vez à damas, respeitar os mais velhos, tudo isso foi-se embora, já que vivemos numa era pop. Concordo que naqueles tempos havia muita hipocrisia, muita coisa de fachada, claro, mas educação, como bem diz minha avó, não ocupa espaço e nunca é demais.

Olhem as atribuições da dona da casa:


Faz-me rir:


Gostei da "delicadeza" no preparo (hehehe):


E tem gente que reclama da sujeira dos pombos, sem pensar no seu valor nutritivo:


O tatu, ao lado da tartaruga, já vem com panela própria...


Bom apetite e boa semana.

5 comentários:

Leticia disse...

Eu acho impossível uma mesma pessoa "matar, esfolar, abrir, esvaziar e tirar os olhos" de um leitão e monitorar se o convidado burro se expande mais ou menos.

Im-pos-sí-vel!

Ricardo disse...

E dizem que as mulheres de hoje é que tem uma vida estressante. rsrs

Raquel disse...

Ricardo eu adorei esta:
"Ela deve entreter o espírito dos convivas que o tem, e não deixar os menos inteligentes se expandirem demais."

Ricardo disse...

Isso, Raquel, deveria ser ensinado no jardim da infância!

Ana Ramon disse...

Olá Ricardo! Adorei estes teus recortes. Realmente para se ser boa dona de casa era preciso tirar um curso. Pelo tipo de escrita pensei que a senhora Rosa Maria seria portuguesa, mas como fala em Tatú assado (que nem sei o que é) e em farofa e pirão de batata, é mais que evidente que era brasileira ou portuguesa a viver no Brasil.
Algumas das regras apresentadas aqui são realmente de um exagero ridículo.
Hoje a dona de casa está muito mais liberta deste stress do Bem Receber... os tempos são outros e não há paciência para estes vagares

A ver se fico mais atenta quando receber os meus convidados
:))))))))))))
Beijinhos